16.09;

vês... eu sabia que ia acabar sempre por ser inconveniente caso demonstrasse carinho espontaneamente.

"estou a ficar desconfortável"
não quero isso. para desconfortável basta o tempo que passamos com os amo-te entalados na garganta. basta o percebermos que afinal sempre fomos aquele "nós".

só queria poder dizer-te o que sinto sem ter de esperar que abras a porta.

mas não faz mal. eu fico aqui parada à tua porta. 

15.09;

"algo inexistente. mas que existe."

namoro platónico, disseste tu. então... o que somos? será que na minha mente posso ter a palavra "namorado" secretamente associada a ti? ou foram apenas sentimentos momentâneos a falarem mais alto naquela altura específica devido às hormonas descontroladas?

nunca fiquei tão feliz por alguém me dirigir um "amo-te". porque eu andava a aguentar desde o início poder dizer-to, durante os nossos momentos de caos, mas não queria dar parte fraca.

sempre tive medo que não quisesses envolver qualquer tipo de sentimento mais profundo nesta nossa nova história.
mas eis que ao fim de um ano, me surpreendes ao dizer que me amas, que é verdade, e que se assim não fosse, não teríamos descoberto o lado platónico da nossa vida.

o que eu sinto está completamente difícil de colocar em palavras. está a ser muito intenso. algo que requer uma boa dose de pensamento e atenção, mas que ao mesmo tempo é das coisas mais simples que podem existir.

o sentimento nunca foi embora. apenas me habituei a viver com isto e segui a minha vida em frente.

queria tanto mostrar-te todo o meu carinho. enviar declarações espontâneas. mas tenho medo de não estares no mood. de ser chata, inconveniente e inoportuna. 

memories #1;

- A vida deu-me o que sempre sonhei e quis na altura errada

- Mas deu-te o que tu precisas na altura certa

the pain;

Esta dor há de me acompanhar para sempre.
A dor de te amar. De te ter recebido um "amo-te" da tua parte.
E de ter tido o nosso "nós" na altura errada. De te ter amado como sempre, e ter vivido momentos como nunca.

Pensava eu de estar resolvida. De já não amar mais, e tudo ter passado e sê-lo também.
Mal sabia eu o que o destino me tinha guardado ao fim destes anos todos.
Vivi o que sempre quis. Vivi um sonho.

Cada vez mais percebo que existe o amor da nossa vida e o amor para a nossa vida. E tu sabes tão bem quanto eu qual és tu.


E se há coisa que me dói é não poder demonstrar o que sinto, quando o sinto, quando me apetece e da maneira que me apetece.
Tenho sempre que esperar por ti pela tua permissão, para o fazer.
Vivo sufocada num monte de palavras, à espera que me possa ver livre delas.

E este sufoco vai-me matando aos poucos. Destruindo por dentro.
Poderia dizer que um dia, quando me deixares, já as palavras me destruíram e não as conseguirei soltar.
Mas tenho sempre algo para te dizer. É impossível. 


A minha maior dor é a de te amar. Mesmo quando já não o devia fazer. Mesmo quando já não me vai levar a lado nenhum.
Pior de tudo é saber que, caso fosse possível, nunca te teria como sempre sonhei.
Ficam as boas lembranças. Os momentos felizes. Aquele "nós".

E a vida segue. Como sempre teve de ser.